São Bernardo de Graciliano Ramos
Julho 20, 2006
São Bernardo é um romance publicado em 1934 pelo escritor alagoano Graciliano Ramos(1892-1953), principal nome do movimento literário brasileiro conhecido como Geração de 30, sendo a prosa deste movimento classificada como romance regionalista (Nordeste). Ao lado de Graciliano Ramos, outros escritores de destaque do movimento foram José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Érico Veríssimo. Trata-se de uma literatura de caráter construtiva, madura e com legado das conquistas estéticas da geração de 1922. Sua principal característica foi a denúncia social, retratando fielmente a realidade do nosso povo, em que as relações “eu” / mundo alcançam elevado grau de tensão.
A técnica de São Bernardo é marcada por uma linguagem dura, seca, fria e objetiva. Não há rodeios ou grandes momentos de descrição. Graciliano Ramos procura ser o mais objetivo possível e, ao contrário do que alguns possam achar, trata-se de uma escolha correta, pois combina perfeitamente com a estória narrada no romance. Não há uma palavra a mais ou a menos em cada passagem do livro.
São Bernardo é um romance narrado em primeiro pessoal no qual o narrador-personagem Paulo Honório em narra a estória de sua vida, desde sua ascensão à sua decadência. Nesta narrativa, nota-se que o protagonista a escreve com um único e claro objetivo: compreender a razão do suicídio de sua esposa, Madalena. Através de suas lembranças e da análise dos fatos , o narrador tenta alcançar seu objetivo. Não obstante, o leitor rapidamente nota que o narrador nunca obterá êxito em sua “empreitada”.
A narrativa de Paulo Honório demonstra incessantemente sua angustia, embora este tente, a todo custo, escondê-la. Embora durante toda a narrativa o narrador não relate que alguma vez tenha demonstrado seu amor à sua esposa, para o leitor não resta dúvida da existência deste. Talvez o orgulho de Paulo Honório seja a razão de sua frieza quanto a Madalena.
Na interpretação deste escriba, a incansável ambição de Paulo Honório foi o motivo de sua desumanização ao longo do livro. Primeiro foi a ambição de possuir a fazenda São Bernardo, de uma maneira nada ética e sem escrúpulos: Paulo Honório a obtêm através de um dívida não quitada. Contudo, o protagonista não consegue ver qualquer problema neste “negócio”, talvez por não ter infringido em qualquer momento a lei. A meu juízo, Graciliano Ramos através de Paulo Honório faz uma severa crítica aos capitalistas que, na visão do autor, por sua ambição por poder e dinheiro, não mede esforços para alcança-los. Depois veio a “posse” de Madalena, para usar as palavras do teórico João Luiz Lafetá: Paulo Honório trata seu casamento como um negócio, pois desejava ter um herdeiro para continuar seus negócios.
O crítico Antônio Cândido, sobre Graciliano Ramos, afirma que “[...] no âmago de sua arte, há um desejo intenso de testemunhar sobre o homem, e que tanto os personagens criados quanto, em seguida, ele próprio, são projeções deste impulso fundamental, que constitui a unidade profunda de seus livros”. Não posso atestar a veracidade de tal tese por ter lido pouco de Graciliano (apenas o romance aqui relatado e alguns contos), mas posso confirmar que no pouco que li trata-se da mais pura verdade.
São Bernardo retrata, ao contrário do que ocorre em Vidas Secas (também de Graciliano Ramos), os nordestinos que permanecem na sua terra. É o sertão nu, cru e com todos os ingredientes. Apesar desta abordagem, não se pode encarar a obra como apenas uma denúncia social, mas a descrição e análise da alma humana, assim como tantas outras obras da literatura universal. Dessa forma, São Bernardo nos apresenta como uma obra fundamental não apenas do Modernismo Brasileiro, mas de toda nossa literatura.
Outubro 1, 2006 às 12:38 am
Tá aí…
Maio 24, 2007 às 5:27 pm
perfeito!!
Julho 16, 2007 às 6:14 pm
Se fosse maior seria melhor!mais dá pra se ter uma idéia do q se vai apresentar sobre o livro.
Novembro 25, 2007 às 11:30 pm
Ridículo esse resumo. Se não entende ou não tem visão plural dos acontecimentos, não escreve críticas.
Sarah
Novembro 25, 2007 às 11:33 pm
A linguagem não é fria e nem dura, é simples somente, porém com beleza na sua simplicidade. O personagem não tenta entender a morte da esposa, mas tenta entender a ele mesmo, isso se chama fluxo de consciência. Entre tantas coisas que devem ser corrigidas nesses comentários.
Sarah
Janeiro 20, 2008 às 7:54 pm
Sarah:
Discordo. Creio que o protagonista tenta compreende a morte de sua esposa e a si mesmo. Ou melhor, entender a si mesmo através da morte da esposa.
Quanto ao estilo da prosa de Graciliano, creio ser impossível não ver em São Bernardo uma prosa dura e simples. O que não significa que não tenha beleza.
Obrigado elo comentário.
Sérgio.
Março 12, 2008 às 12:50 am
ficou muito bom uma obra com história interessate
Março 30, 2008 às 5:19 pm
Paulo Honório em conseqüência da trajetória de sua vida, o mesmo se mostra ser capitalista avarento, um homem que se faz por si mesmo, que se tornou superior à sua classe, passando de trabalhador braçal a proprietário. Para realizar esta travessia, foi necessária a sua desumanização o que prevaleceu o lado da brutalidade, que através da qual pôde exercer o domínio sobre os outros: matando, roubando, mentindo, trapaceando, desprovido de caráter e de qualquer ideal que se apresente ou se faça, o que o faz agir de modo tenebroso com relação às coisas e as pessoas que estão ao seu redor, se fingindo de amigo e de bom homem e se perdendo. Por isso é seca dura ela é na verdade densa pois Graciliano Ramos mostra a densidade quanto à sobrevivência humana e suas possíveis condições, revela ainda a pluralidade do homem enquanto SOCIAL e INDIVIDUAL.
Maio 5, 2008 às 11:21 pm
Alguem sabe qual a época que aconteceu a história narrada por Paulo Honório?
Obrigado
Junho 15, 2008 às 11:52 pm
A história se passa na década de 1930(a crise retratada no livro é devido a quebra da bolsa de Nova Iorque e a revolução de 30).
Eu interpretei que o narrador-personagem tenta entender ele mesmo… como a Sarah.
Junho 23, 2008 às 1:21 pm
tem alguma relação de SAO BERNARDO com a obra Paraísos artificiais (Paulo Henriques Britto)??
Agosto 1, 2008 às 1:11 am
MuTo BoM!Vaaleu
Agosto 15, 2008 às 5:40 pm
Gostei do coentario sobre o livro é uma historia interessante que tem muito a passar ao leitor graciliano é um otimo escritor
Setembro 17, 2008 às 10:15 pm
adorei tudo isso!!!!!!!!!!!!!!
Outubro 4, 2008 às 7:56 pm
ÓtImOoOoO
=]
Outubro 17, 2008 às 1:01 pm
ficou perfeito, ameeeeeeiiiiiiiiiiiiiii deu pra ter uma ideia do que vai se tratar essa
obra…bjsssssssssssssssssssss teh mais………………..
Novembro 20, 2008 às 2:46 pm
interresante
gostei de le!!
le ke vc vai gostar
Dezembro 6, 2008 às 12:02 pm
Paulo Honorio é exatamente um homem angustiado.Vê que sua existencia é vã, porém com a morte de sua esposa é que começa a decifrar sua personalidade nao necessariamente arrepender-se.
Dezembro 6, 2008 às 12:06 pm
Era um homem anguntiado e provocou angustia em todos a sua volta.
Janeiro 26, 2009 às 5:15 pm
Caros amigos, sou Mestrando em Letras e estou e constantemente estou estudando a obra e percebe que a cada análise surge um novo viéis de entendimento.
Creio que Paulo Honório, semelhante à Bento Santiago de Dom Casmurro (de Machado de Assis), tenta entender-se a si mesmo e ao próprio sentido da vida, entretanto, mesmo após a morte da esposa, apesar de ficar o remorso da morte dela, PH não muda seus ideiais e sua atitute pois o individualismo continua. Podemos comprovar verificando que na escrita do livro ele acaba preferindo escrever sozinho, por não encaixar suas idéias com os demais.
att
Adilson
Agosto 19, 2009 às 3:11 am
concordo plenamente com a descriçao feita pelo mestre a cima,pois,apesar demostrar remorso pela morte da mulher nao muda seus ideais.
Abril 10, 2009 às 6:45 pm
Gostaria de saber que fim o autor dá ao filho de PH e qual o nome do garoto.
Alguém pode me dizer por favor?
Grata.
Lillymay
Abril 24, 2009 às 4:47 pm
Tudo que eu precisava. Estou no 5º ano de Direito, e tenho que fazer um paralelo de uma obra da literatura brasileira, relacionada a “direito de propriedade” e ” posse”. Li o resumo do livro e achei que tinha tudo a ver. Essa análise vai me ajudar muito.
Obrigada!
Maio 23, 2009 às 4:13 am
Acredito que ela tenha escrito o livro como forma de voltar ao passado, tentar se sentir menos culpado por todos os erros, tentar mostrar arrependimento – apesar de não conseguir. E também como forma de entender porque tudo o que aconteceu aconteceu…
Gostei muito do resumo.
Maio 23, 2009 às 4:13 am
ele* (PH)
Maio 25, 2009 às 8:04 pm
esse livro foi muito publicado
Maio 25, 2009 às 8:06 pm
eu adorei tudo!valeu a pena
Junho 23, 2009 às 11:56 am
ESSE LIVRO FOI O PIOR QUE EU JA LI EM TODA A MINHA VIDA. … ESSE LIVRO NAO PRESTA…
Outubro 22, 2009 às 11:37 am
sinceramente que livro compricado,e preciso de tempo e dedicação para le,e uma das obras literaria mais linda,minha nota 9……………
Novembro 25, 2009 às 12:53 am
O nome do filho do Paulo Honório é Enzo e ele não dá a mínima bola para o filho, só ao dinheiro…
Maio 2, 2010 às 12:57 pm
so não encontrei quem é o protagonista da história…
Outubro 24, 2010 às 9:09 pm
o livro apesar de ter trechos de subjetividade,o realismo impera. retrata as condições do povoado passivo,sujeito as condições do meio em que vivem,juntamente narra o aspecto psicológico do eu lírico,seus conflitos pessoais,visto em paulo honório.o social e o psicológico estão evidenciados e em equilíbrio como poucos conseguiram!
Abril 6, 2011 às 6:07 pm
A linguagem do protagonista da obra é dura e seca, e sua esposa morre para tentar salvar ele, pois ele acha que todos são objetos e tem seu preço.
Julho 8, 2011 às 1:49 pm
Ixi!
Nem pode colar :s
Novembro 7, 2011 às 10:43 pm
é um resumo muito bom
bem objetivo
Novembro 23, 2011 às 12:39 am
oh romance é bem legal fala das consecuencias da vida de qem pensa ser melhor do qe os otros e akaba maltratando qem esta ao seu lado
mais depois qundo se depara sozinho ve qe aqeles eram emportantes na sua vida mais ja esta tarde mais para repensa no
ato feito
pessoas assim, so tem uma escolha mudar seus atos e demonstra qe realmente qer mudar
Março 3, 2012 às 8:24 pm
Foi um resumo bem escrito, me ajudou confirmar o que analisamos na minha aula universitaria de literatura brasileira. Obrigado!