O Outro Lado da Rua

Junho 29, 2010

“A gente só sabe que o casamento deu certo quando um dos dois morre.”

“Quando eu soube que ia ser pai, olhava para as pessoas na rua e parecia que o mundo ia explodir de tanta gente que tava para nascer.
- E com a solidão é igual?
- É.”

“- E você, teve um casamento feliz?
- Eu? Pelo menos ele me deu o meu filho.”

“Não, não dá. Eu tenho uma cicatriz de cesariana, outra de apendicite, isso aqui é um verdadeiro jogo da velha e tem estrias. Como é que eu vou tirar a roupa, meu deus?”

A Marca Humana

Junho 4, 2010

Nós deixamos uma marca, uma trilha, um vestígio. Impureza, crueldade, maus-tratos, erros, excrementos, esperma – não tem jeito de não deixar. Não é uma questão de desobediência. Não tem nada a ver com graça nem salvação nem redenção. Está em todo mundo. Por dentro. Inerente. Definidora. A marca que está lá antes do seu sinal. Mesmo sem nenhum sinal ela está lá. A marca é tão intrínseca que não precisa de sinal. A marca que precede a desobediência, que abrange a desobediência e confunde qualquer explicação e qualquer entendimento. Por isso toda essa purificação é uma piada. E uma piada grotesca ainda por cima. A fantasia da pureza é um horror. É uma loucura. Porque essa busca da purificação não passa de mais impureza.

A Marca Humana
Philip Roth

Tradução de Paulo Henriques Britto

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