A Marca Humana

Junho 4, 2010

Nós deixamos uma marca, uma trilha, um vestígio. Impureza, crueldade, maus-tratos, erros, excrementos, esperma – não tem jeito de não deixar. Não é uma questão de desobediência. Não tem nada a ver com graça nem salvação nem redenção. Está em todo mundo. Por dentro. Inerente. Definidora. A marca que está lá antes do seu sinal. Mesmo sem nenhum sinal ela está lá. A marca é tão intrínseca que não precisa de sinal. A marca que precede a desobediência, que abrange a desobediência e confunde qualquer explicação e qualquer entendimento. Por isso toda essa purificação é uma piada. E uma piada grotesca ainda por cima. A fantasia da pureza é um horror. É uma loucura. Porque essa busca da purificação não passa de mais impureza.

A Marca Humana
Philip Roth

Tradução de Paulo Henriques Britto

Uma resposta para “A Marca Humana”

  1. Juliana de Albuquerque K. Diz:

    Serginho,

    Você acaba de ser premiado com o Dardos. Passa lá no meu blog para saber do que se trata.

    Beijo


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