Humor filosófico – Davidson e Dummett
Janeiro 27, 2010
Michael Dummet e Donald Davidson em um momento de humor filosófico, vale muito a pena ver.
The point of saying it is to make some people happy.
Umberto Eco e a informação no mundo contemporâneo
Dezembro 19, 2009

Numa entrevista dada à Veja Digital o intelectual italiano Umberto Eco comentou a avalanche de informação que nos assola no mundo contemporâneo, focando na questão da internet e como lidar com tudo isso. Eis o trecho:
Veja – Na sua opinião, que impacto a internet vai ter na cultura?
Eco – Pela primeira vez, a humanidade dispõe de uma enorme quantidade de informação a um baixo custo. No passado essa informação era custosa, implicava comprar livros, explorar bibliotecas. Hoje, do centro da África, se você estiver conectado, poderá ter acesso a textos filosóficos em latim. É uma mudança e tanto.
Veja – E na política, o que vai acontecer?
Eco – O governo chinês está filtrando informação on-line. Programas bloqueiam o acesso ao site B e só permitem acesso ao site A. Mas há truques para chegar ao site B por meio do site A. O governo não pode controlar todos os sites existentes. A internet é como uma enchente, não há como parar a invasão de informação. Em situações críticas, esse excesso de informação é muito positivo. Durante uma conferência em Bolonha, um palestrante disse que se a internet existisse nos anos 40 Auschwitz não teria sido possível, porque todos teriam sido informados do que estava acontecendo. Eles não poderiam dizer, como dizem até hoje, “ah, eu não sabia”. A internet nos obriga a saber. Você não pode parar a informação.
Veja – Qual é o aspecto negativo?
Eco – A abundância de informação. Uma boa quantidade de informação é benéfica e o excesso pode ser péssimo, porque não se consegue encará-lo e escolher o que presta. Brinco dizendo que não há diferença entre o jornal stalinista Pravda e o New York Times dominical. O primeiro não possui notícia alguma e o outro tem 600 páginas de informação. Uma semana não é suficiente para ler essas 600 páginas.
Veja – No meio de tanta informação, como encontrar os sites de qualidade?
Eco – Hoje podemos encontrar na internet todos os textos de filósofos medievais. O problema é saber como vou adivinhar que eles estão lá. Esbarrei com esses textos durante uma pesquisa. Mas sou profissionalmente envolvido com esse tipo de estudo. Para uma pessoa mais jovem, a internet pode ser uma floresta: se você decidir virar para a esquerda em vez de ir para a direita, talvez deixe de achar o tesouro que está buscando. Existem muitos sites interessantes, mas há também muito lixo. Fiz uma experiência. Escolhi o tema Holy Grail (em inglês, cálice sagrado, no qual, segundo lendas medievais, Cristo teria bebido durante a Última Ceia). Sei que é um assunto que envolve bastante gente louca, que desperta fantasias inacreditáveis. Na primeira busca encontrei 78 sites. Dois continham boas informações enciclopédicas, dois forneciam dados de nível universitário, cinco misturavam informação enciclopédica com informação sem nenhum controle. O resto era lixo. Como podemos garantir que um jovem iniciante consiga distinguir entre a informação verdadeira e a falsa?
Veja – Boa pergunta…
Eco – Isso é algo que deveria ser ensinado nas escolas do futuro, mas ainda não sabemos em que cadeira. Estou cada vez mais pensando em criar grupos universitários que monitorem sites. Por exemplo, em filosofia. Eles selecionariam os sites interessantes. Então, se um jovem iniciar uma pesquisa sobre um assunto, poderá receber um aconselhamento razoável. Esse poderia ser um serviço de grande sucesso, até em termos econômicos. Hoje você aperta um botão e recebe 10 000 títulos sobre um tema. Só que você não tem tempo nem de ler os 10 000 títulos, sem falar nos livros – isso ilustra como o excesso de informação pode transformar-se em puro silêncio.
FONTE: http://veja.abril.com.br/especiais/digital4/entrevista.html
Pois é, esta é um questão que tem me preocupado muito nos últimos tempos. Um jovem como eu (21 anos) que cresceu com o advento da internet e interessado em questões de natureza intelecto-culturais se depara com este problema todos os dias: não há como dar conta da totalidade de informação que a internet nos fornece incessantemente (nem perto disso, aliás). Então acho que concordo com a opinião de Eco de que o remédio seria uma espécie de filtro que seja capaz de distinguir o lixo da qualidade. Talvez esse seja mesmo o segredo. Mas eis então a pergunta que então nos surge: qual a melhor maneira de determinar este filtro?
A refletir.
Sugestão
Janeiro 11, 2009
Tenho lido muito nos últimos dias alguns blogs que tratam do atual massacre de Israel na Faixa de Gaza, tendo já matado mais de 800 palestinos. Sugiro por ora o melhor blogs lusófono que encontrei, ei-lo:
O Biscoito Fino e a Massa
http://www.idelberavelar.com
TLP 6.52
Dezembro 13, 2008

Wir fühlen, dass selbst, wenn alle möglichen wissenschaftlichen Fragen beantwortet sind, unsere Lebensprobleme noch gar nicht berührt sind.
(Sentimos que, mesmo que todas as questões científicas possíveis tenham obtido resposta, os problemas de nossa vida não terão sido sequer tocados.)
L. WITTGENSTEIN, TLP 6.52
The Hollow Man
Agosto 9, 2008
“An Anglo-Catholic in religion, a classicist in literature and a royalist in politics”.
T.S. Eliot, sobre si mesmo.
The Hollow Man
T.S. Eliot
Mistah Kurtz—he dead.
A penny for the Old Guy
I
We are the hollow men
We are the stuffed men
Leaning together
Headpiece filled with straw. Alas!
Our dried voices, when
We whisper together
Are quiet and meaningless
As wind in dry grass
Or rats’ feet over broken glass
In our dry cellar
Shape without form, shade without colour,
Paralysed force, gesture without motion;
Those who have crossed
With direct eyes, to death’s other Kingdom
Remember us—if at all—not as lost
Violent souls, but only
As the hollow men
The stuffed men.
II
Eyes I dare not meet in dreams
In death’s dream kingdom
These do not appear:
There, the eyes are
Sunlight on a broken column
There, is a tree swinging
And voices are
In the wind’s singing
More distant and more solemn
Than a fading star.
Let me be no nearer
In death’s dream kingdom
Let me also wear
Such deliberate disguises
Rat’s coat, crowskin, crossed staves
In a field
Behaving as the wind behaves
No nearer—
Not that final meeting
In the twilight kingdom
III
This is the dead land
This is cactus land
Here the stone images
Are raised, here they receive
The supplication of a dead man’s hand
Under the twinkle of a fading star.
Is it like this
In death’s other kingdom
Waking alone
At the hour when we are
Trembling with tenderness
Lips that would kiss
Form prayers to broken stone.
IV
The eyes are not here
There are no eyes here
In this valley of dying stars
In this hollow valley
This broken jaw of our lost kingdoms
In this last of meeting places
We grope together
And avoid speech
Gathered on this beach of the tumid river
Sightless, unless
The eyes reappear
As the perpetual star
Multifoliate rose
Of death’s twilight kingdom
The hope only
Of empty men.
V
Here we go round the prickly pear
Prickly pear prickly pear
Here we go round the prickly pear
At five o’clock in the morning.
Between the idea
And the reality
Between the motion
And the act
Falls the Shadow
For Thine is the Kingdom
Between the conception
And the creation
Between the emotion
And the response
Falls the Shadow
Life is very long
Between the desire
And the spasm
Between the potency
And the existence
Between the essence
And the descent
Falls the Shadow
For Thine is the Kingdom
For Thine is
Life is
For Thine is the
This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.
(1925)
