Assinem esta petição em favor de Assange contra a ABSURDA perseguição perpretada por Washingtion e seus capachos após Assange e Wikikileaks teream DESNUDADO a diplomacia norte-americana. Todo apoio a Assange e a Wikileaks!

Segundo turno

Outubro 5, 2010

Dilma no segundo turno: pois a última coisa que o Brasil precisa é de uma nova era FHC.

O Outro Lado da Rua

Junho 29, 2010

“A gente só sabe que o casamento deu certo quando um dos dois morre.”

“Quando eu soube que ia ser pai, olhava para as pessoas na rua e parecia que o mundo ia explodir de tanta gente que tava para nascer.
– E com a solidão é igual?
– É.”

“- E você, teve um casamento feliz?
– Eu? Pelo menos ele me deu o meu filho.”

“Não, não dá. Eu tenho uma cicatriz de cesariana, outra de apendicite, isso aqui é um verdadeiro jogo da velha e tem estrias. Como é que eu vou tirar a roupa, meu deus?”

A Marca Humana

Junho 4, 2010

Nós deixamos uma marca, uma trilha, um vestígio. Impureza, crueldade, maus-tratos, erros, excrementos, esperma – não tem jeito de não deixar. Não é uma questão de desobediência. Não tem nada a ver com graça nem salvação nem redenção. Está em todo mundo. Por dentro. Inerente. Definidora. A marca que está lá antes do seu sinal. Mesmo sem nenhum sinal ela está lá. A marca é tão intrínseca que não precisa de sinal. A marca que precede a desobediência, que abrange a desobediência e confunde qualquer explicação e qualquer entendimento. Por isso toda essa purificação é uma piada. E uma piada grotesca ainda por cima. A fantasia da pureza é um horror. É uma loucura. Porque essa busca da purificação não passa de mais impureza.

A Marca Humana
Philip Roth

Tradução de Paulo Henriques Britto

A geração perdida ganhou ou perdeu?

Uma revisita à Paris de Hemingway,
suas glórias, suas loucuras e seus
infortúnios – e a questão que suscita

Por Roberto Pompeu de Toledo

Era tudo tão louco naquele tempo. Como não gostava de carros com capota, Zelda, a mulher de Scott Fitzgerald, mandou arrancar a do seu Renault como se arranca a tampa de uma lata de sardinhas. O poeta dos “Cantos”, Ezra Pound, aprendia a lutar boxe com Ernest Hemingway. Bebia-se, bebia-se. Vinho tinto, vinho branco, encorpado, suave, Sancerre, Mâcon, Cahors, Châteauneuf-du-Pape, Pouilly-Fuissé. Uísque, cerveja, kirsh, xerez, rum, o licor caseiro de Gertrude Stein. Bebeu-se mais entre 1921 e 1926 do que no meio século seguinte. Bebeu-se cinqüenta anos em cinco. E havia as mulheres de ocasião. As duas que acompanhavam o pintor Pascin no Dôme, o famoso café do Boulevard Montparnasse, as duas que chegaram de navio com o poeta Ernest Walsh. Sempre em dupla. O conforto do dois em um. Está-se falando dos personagens e situações do livro Paris É uma Festa, de Hemingway, que acaba de ganhar nova edição no Brasil (Bertrand Brasil). Para quem gosta de fofoca sobre escritores, o livro é um prato cheio. Para quem gosta de acompanhar a viagem nostálgica de um autor marcante, dos mais significativos do século, em busca do glorioso tempo de juventude, também.

O livro explica como surgiu o rótulo de “geração perdida” pespegado à safra de escritores que, como Hemingway, se expatriaram em Paris na mocidade. Um dia, Gertrude Stein, que era mais velha e guru dos jovens que freqüentavam os concorridos serões de sua casa, ouviu, na oficina mecânica em que fora buscar o carro, um áspero diálogo entre o dono do estabelecimento e um jovem empregado. O dono estava furioso porque o empregado não tinha cumprido bem sua tarefa. “Vocês todos”, disse ele, ampliando para todo um grupo etário o alcance das falhas do rapaz, “são uma geração perdida”. Gertrude Stein tomou emprestada a expressão para atribuí-la a Hemingway e companhia. “É isso mesmo que vocês são”, disse ela. “Todos vocês, essa rapaziada que serviu na guerra. Vocês são uma geração perdida.” A guerra em questão era a I Guerra Mundial, na qual Hemingway foi motorista de ambulância.

O episódio é razoavelmente conhecido. Menos lembrada é a continuação que lhe dá Hemingway no livro. Ao deixar a casa de Stein, ele foi buscar consolo na Closerie des Lilas, outro famoso café do Boulevard Montparnasse, onde, copo de cerveja na mão, e contemplando a estátua do marechal Ney, que podia vislumbrar na calçada, se pôs a pensar que aquele ilustre militar, companheiro de Napoleão, ali representado de forma tão destemida, a espada desembainhada, acabara ingloriamente derrotado em Waterloo. Era a ilustração de como a glória é efêmera, e garantido o fracasso final. Hemingway acaba por concluir que “todas as gerações eram perdidas, por alguma razão”. Sempre fora assim, e sempre haveria de ser. Ao chegar em casa, naquela noite, comenta com a mulher que Gertrude é uma boa pessoa – “mas diz muita besteira de vez em quando”.

Que quer dizer que uma geração é “perdida”? Há pelo menos duas hipóteses. Ou bem é perdida porque perdeu (perdeu uma aposta, ou uma batalha, como Ney) ou porque se perdeu (desencaminhou-se, desperdiçou-se). É extraordinário, uma lição de como as frases, assim como a vida, podem percorrer os caminhos mais inesperados, que o obscuro homem da oficina, do qual nem se registrou o nome, nem o endereço, seja o autor da fórmula que iria qualificar todo um grupo de escritores. Só ele poderia explicar direito o que quis dizer com “geração perdida”. Infelizmente, a ninguém ocorreu perguntar-lhe. Passado o momento de raiva, talvez viesse a reconhecer que tinha dito uma grande “besteira”, como queria Hemingway. Mas o rótulo era bom, tinha um halo romântico que bem cabia ao charme daquele grupo, e pegou.

Fica-se a matutar na sorte das pessoas retratadas no livro, tão cheias de vida, tão na plenitude de suas forças e de suas esperanças. Scott Fitzgerald, o notável autor de O Grande Gatsby, terminaria em Hollywood, enredado no alcoolismo e trabalhando em roteiros freqüentemente recusados pelos produtores. Sua mulher, Zelda, com quem formou o mais esfuziante e mais doidivanas dos casais dos anos 20, acabou num sanatório, com irrecuperável distúrbio mental. Ezra Pound, que na II Guerra aderiu ao fascismo, e da Itália fazia programas radiofônicos de propaganda dirigidos aos Estados Unidos, amargou na prisão as décadas finais, culpado de traição da pátria. O próprio Hemingway, encharcado de bebida, de depressão e do sentimento da decadência, resolveu ele próprio dar cabo da vida, dando-se um tiro na cabeça. A soma de infortúnios é impressionante. Parece que eles perderam. No entanto, com exceção de Zelda, deixaram livros que lhes garantem ainda a admiração de quem os lê, tantos anos depois. Por esse ângulo, parece que ganharam. Realizaram aquilo a que se propuseram prioritariamente na vida.

Que é ganhar? Que é perder? Eis a inconclusiva conclusão desta história. Ah, se ainda fosse possível localizar o dono da oficina… Ele devia saber.

FONTE: http://veja.abril.com.br/111000/pompeu.html


Uma das mais belas músicas de Tom Waits.

hey charlie i’m pregnant
and living on the 9th street
right above a dirty bookstore
off euclid avenue
and i stopped takin dope
and i quit drinkin whiskey
and my old man plays the trombone
and works out at the track

and he says that he loves me
even though its not his baby
and he says that he’ll raise him up
like he would his own son
and he gave me a ring
that was worn by his mother
and he takes me out dancin
every saturday night.

and hey charlie i think about you
everytime i pass a fillin station
om account of all the grease
you used to wear in your hair
and i still have that record
of little anthony & the imperials
but someone stole my record player
now how do you like that?

hey charlie i almost went crazy
after mario got busted
so i went back to omaha to
live with my folks
but everyone i used to know
was either dead or in prison
so i came back to minneapolis
this time i think i’m gonna stay.

hey charlie i think i’m happy
for the first time since my accident
and i wish i had all the money
that we used to spend on dope
i’d buy me a used car lot
and i wouldn’t sell any of em
i’d just drive a different car
every day, dependin on how
i feel

hey charlie for chrissakes
do you want to know the
truth of it?
i don’t have a husband
he don’t play the trombone
and i need to borrow money
to pay this lawyer
and charlie, hey
i’ll be eligible for parole
come valentines day

The Eternal

Março 9, 2010

The Eternal
Ian Curtis

Procession moves on, the shouting is over,
Praise to the glory of loved ones now gone.
Talking aloud as they sit round their tables,
Scattering flowers washed down by the rain.
Stood by the gate at the foot of the garden,
Watching them pass like clouds in the sky,
Try to cry out in the heat of the moment,
Possessed by a fury that burns from inside.

Cry like a child, though these years make me older,
With children my time is so wastefully spent,
A burden to keep, though their inner communion,
Accept like a curse an unlucky deal.
Played by the gate at the foot of the garden,
My view stretches out from the fence to the wall,
No words could explain, no actions determine,
Just watching the trees and the leaves as they fall.

A meu ver trata-se de uma das mais belas letras da história do rock. Numa interpretação possível, a que me parece a mais plausível, Curtis aparenta estar “cantando” o seu próprio funeral que se realizaria, curiosamente, pouquíssimo tempo depois da finalização das gravações do Closer.