Funeral Blues de W.H. Auden

Fevereiro 5, 2008



Wystan Hugh Auden
(1907-1923), grande poeta e escritor inglês, nasceu em York, cidade localizada no centro-norte de Inglaterra. Sua obra destaca-se pela constante variação na forma, conteúdo e tom. É característico de sua poesia a técnica impecável, das mais notáveis na poesia anglo-saxônica em todo o século passado.
O poema que por ora vos apresento, Funeral Blues, é o mais famoso de sua extensa obra, não restando dúvida a respeito. Tornou-se famoso mundialmente devido ao filme Quatro Casamentos e um Funeral, onde é recitado.
Embora tenha sido primeiramente publicado na peça The Ascent of F6 em 1937, quando contava então com cinco estrofes, a versão definitiva de Funeral Blues foi publicada tão somente em 1938, quando Austin o reduziu às famosas quatro estrofes. Sua versão final foi escrita para ser cantada pelo soprano Hedli Anderson, daí o título.

Isto posto, ei-lo:

Funeral Blues
W.H. Auden

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods
For nothing now can ever come to any good.

Creio que dificilmente tomarei conhecimento de um poema superior a este cujo tema também seja uma perda amorosa. De todo modo, aguardemos.

Até a próxima!

13 Respostas to “Funeral Blues de W.H. Auden”

  1. Mavi Says:

    Olá, tudo bem? Posta uma tradução, eu sei que tiraria a essência, mas penso que ficaria legal, até mais.


  2. Mavi:

    Infelizmente desconheço alguma tradução. Mas creio que se procurares bem encontrarás pela internet a fora.

    Sérgio Farias.

  3. Tradução "Funeral Blues" Says:

    Olá Sérgio,
    para mim esta é a melhor tradução!

    “Funeral Blues” ( WH Auden)
    “Parem os relógios
    Cortem o telefone
    Impeçam o cão de latir
    Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
    Venham os pranteadores
    Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:
    “Ele está morto”

    Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
    Usem os policiais luvas pretas de algodão.

    Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
    Minha semana de trabalho e meu domingo
    Meu meio-dia, minha meia-noite.
    Minha conversa, minha canção.

    Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
    As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas.

    Embrulhem a lua e desmantelem o sol
    Despejem o oceano e varram o bosque
    Pois nada mais agora pode servir”

    Desconheço a autoria do tradutor.
    abs,
    Bia

  4. Louise Says:

    com certeza a melhor tradução é essa aí de cima !!😉

  5. Beth Says:

    Esta é uma das mais lindas poesias. Não sou uma pessoa melancólica, mas esta será a poesia do meu funeral. Espero que demore bastante. Fiquem tranquilos.

  6. Alysson Says:

    Esse poema é magnífico. Ouvi ele pela primeira vez no colégio recitado pelo professor. É incrivel

  7. Beth Says:

    Escutei esta poesia no filme Quatro Casamentos e Um Funeral. Amei! Sem querer ser fúnebre, pois amo a vida, desejo que seja recitado em meu funeral. Alguns amigos meus já sabem e estão responsáveis. Quero fazer uma homenagem ao meu único grande amor.

  8. poeta perdido Says:

    Há uma excelente tradução em

    http://giganteegoista.blogspot.com/2006/05/recriao-portuguesa-do-funeral-blues-de.html

    O autor chama-lhe recriação poética, penso que teve a ver com a alteração de alguns versos de forma a fazer rima interna e dar ritmo em português… Mas foi a melhor que encontrei até agora!

  9. Tradutor Says:

    Tradução ruim à beça… “Cut off” não é “cortar”, é “desligar”. “He is dead” não é “Ele está morto”, é “Ele morreu” (ninguém fala “ele está morto” ao anunciar uma morte!). A frase completa é “Impeçam o cão de latir, com um osso suculento”.
    Tradução é difícil, não é pra qualquer um que tenha o Dicionário Ediouro…

  10. gerri lima Says:

    Em razão da morte do meu querido pai nesta semana, eu resolvi fazer uma versão bem livre do poema de Auden:

    Parem os relógios, desliguem os telefones
    Distraiam com ossos os cães que uivam o seu nome
    Parem a música e deixem apenas o toque solitário do tambor
    Tragam o caixão e nos deixem expressar nossa dor

    Que os aviões circulem pelo céu em lamento
    Deixando em rastros a mensagem de seu falecimento
    Adornem com flores este doloroso e silencioso percurso
    E que guardas de trânsito calcem luvas pretas em respeitoso tributo

    Ele era o meu Oeste, o meu Leste, o meu Norte, o meu Sul
    A minha semana de trabalho, o meu domingo de céu azul
    Foi o meu dia, a minha noite, a minha conversa, minha canção
    Eu pensei que tudo seria para sempre: enganei-me em minha ilusão

    Que se encerre de vez esse teatro de estrelas
    Recolham a lua, retirem o sol exaurido
    Esvaziem os oceanos e as florestas de sua pureza
    Pois não há nada agora que faça sentido

    • Beth Says:

      Querida Gerri! Ficou linda a sua versão. Conheço a dor que vc está passando, pois perdi meu pai um mês e meio antes do meu filho nascer. Tudo tão de repente. Fará 14 anos em maio e amanhã ele faria 81. Beijos e só o tempo pra amenizar a dor. Com carinho Beth.

      • gerri lima Says:

        Oi, Beth
        Obrigado pelo seu feedback sobre a versão e tbm por compartilhar comigo a sua experiência de perda. Eu não sou um homem religioso, mas desconfio que haja algo superior e muito além do que somos em vida capazes de compreender. E prefiro pensar que nesse mistério residam paradoxalmente todas as respostas às nossas aflições. E, se há realmente um lugar e uma outra dimensão, que tudo seja, então, feito de paz, alegria e amor. Meu pai era um homem simples dotado de valores e desejos nobres. Sem poder lhe explicar como e porque, eu tenho certeza de que eles estão bem e em pleno estado de graça e paz agora. Qto ao poema, foi uma forma que eu encontrei de expurgar esse sofrimento pela ausência e tbm uma tentativa de entender e aceitar o fato. Eis aqui uma das tantas utilidades da arte. Dê um beijo carinhoso no seu filho e um outro especial para vc.

      • Beth Says:

        Adorei receber sua mensagem. Vc escreve maravilhosamente bem. Meu Face é Elisabeth Correia e e-mail elisabethdasilva.correia@gmail.com. Se vc quiser te adiciono. Adoro poesia e cinema. Sou professora de português e literaturas. Será muito legal trocar ideias. Quanto aos nossos pais, com certeza estão em bons lugares. Nasci na Igreja Católica, mas não frequento mais. Até consegui uma resposta muito interessante do Padre Nelson, da Igreja N.S de Fátima, no Centro. Meu ficou no Inca e ele dá assistência lá. Ele me confortou um pouco. Um ano após a morte do meu pai, estava sentada na escada e meu marido me chamou para dormir. Disse que iria depois, porque estava chorosa. Era Semana Santa. De repente, tocou o telefone e quando fui atender era o padre. Ele queria me dizer que todos os dias ele rezava por mim na missa e que meu pai, não me esquecia. Engraçado que estava falando mentalmente com meu pai que sentia saudade dele. Olha a sincronicidade? Bjs.


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