A Suposta Existência

Março 13, 2008


A Suposta Existência

Como é o lugar quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas sem ser vistas?
O interior do apartamento desabitado?
A pinça esquecida na gaveta?
Os eucaliptos à noite no caminho três vezes deserto?
A formiga sob a terra no domingo?
Os mortos, um minuto depois de sepultados?
E nós, sozinhos no quarto sem espelho?

Carlos Drummond de Andrade.

4 Respostas to “A Suposta Existência”

  1. Anônimo Says:

    Caro Farias, essa poesia é maravilhosa. Mas não de uma beleza intangível, distante e sonhadora, mas d’àquela que nos impacta para sempre. É uma daquelas obras que não conseguimos sair incólume após a leitura, nos dá vertigem, impede-nos de andar da mesma forma que antigamente. Bela escolha, poderia colocar a poesia inteira, no entanto, talvez esses versos iniciais já sejam demasiado impactantes e possuem vida própria fora do todo.

  2. Mauricio Santos de Abreu Filho Says:

    Eu acho que Andrade é D+

  3. Durval Amon Says:

    Este é meu poema favorito de Drummond e um dos mais belos do mundo! Aproxima-se bastante do que penso sobre a existência.

  4. Theo - SSA Says:

    Esse poema serviu de resposta ao meu ensaio monográfico como resposta ao primeiro capítulo, onde tratei da fenomenologia. de fato, algo marcante,até hoje nunca esqueci como me deparei com tal poema..foi uma coisa única.


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