Notas avulsas sobre A Chinesa de Godard

Janeiro 30, 2009


Ontem tive a oportunidade ver pela primeira vez A Chinesa (La Chinoise, FRA/1967) do cineasta francês Jean-Luc Godard, a meu ver uma das principais figuras do cinema moderno. Neste espaço farei algunas alguns comentários avulsos sobre o referido filme.

A geniliadade godardiana na criação do filme impressiona primeiramente pelo fato de aqui o sujeito conseguir antever e profetizar praticamente todo o maio de 68 francês: as inconsistências e contradições da esquerda  revolucionária, a união entre estudades e o operariado na condução das revoltas, a ocupação de universidades, a greve geral, a ineficácia operativa do movimento estudantil na condução da revolução, a repressão do governo gaullista e a posterior desilusão política dos estudantes. Ista acaba por nos demonstrar a perspicácia de Godard na compreensão dos acontecimentos de seu próprio tempo, qualidade restrita somente aos grandes cineastas.

O aspecto formal do filme, com Godard utilizando-se de uma narrativa não-linear, travellings desordenados e uma montagem baseada em jumping cuts, dá ao filme um ar frenético, típico de outros de suas grandes obras.

Também devemos observa o uso incessante da cor vermelha na fotografia do filme, numa clara referência ao Livro Vermelho de Mao Tse-Tung que é mostrado repetidaas vezes ao longo do filme (tal como podemos ver no cartaz acima) sendo suas passagens citadas na mesma proporção.

Por fim, a condução da obra para que esta esteja em estreito diálogo com seus espectadores demonstra a intenção godardiana de impactá-los politicamente através de seu filme, de modo que a apreciação não seja feita passivamente, assim como para que os especatores saiam da “sala de cinema” de alguma maneira diferentes de como nela entraram. O objetivo  último é que o especatador modifique o filme e também seja de alguma menria também modificado por ele, tal como deve ocorrer em todo cinema político que tem em Godard um de seus grandes nomes.

Post-Scriptum: antes qeu alguém tente condenar o filme devido ao seu cunho polítco relembro o óbvio: uma obra de arte deve ser julgada tão somente por sua qualidade estética intrínseca, não por seu cunho político e/ou ideológico que por ventura venhamos a discordar.

Uma resposta to “Notas avulsas sobre A Chinesa de Godard”

  1. timóteo pinto Says:

    Será que ele ao invés de antever, ele apenas viu o que estava acontecendo?
    Levantes não surgem do nada, e nem por causa de uma obra de arte ou um artista de cu aqui ou ali. zeigeist.

    e

    Porra , champs! Um filme panfletário desse e tu me fala que arte se julga só pela sua “qualidade estética intrínseca”!?
    Quem não gosta dos comuna que fique longe de godard.
    Arte por arte? HÁ

    Toda vanguarda tem algum objetivo mais ou menos articulado, ou não é nada ( como mais ou menos acontece hoje ;D ). teleologia, fins.

    ah, sei lá.HAHAE


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