O Animal Agonizante de Philip Roth

Dezembro 8, 2009

Acabo de ler o brilhante romance O Animal Agonizante (The Dying Animal) de um de meus escritores contemporâneos favoritos Philip Roth, publicado em 2001, ou seja, no início do novo século. Não é a toa que há várias referências sobre isto ao longo do livro, principalmente em seu final.

Trata-se de um romance em que há a predomiância, à meu ver, de um tema central, a paixão obsessiva e enlouquecedora do protagonista por uma jovem hispância e a paritr desta perspectoiva desdobram-se três outros temas: velhice, morte e a condição feminina após a revolução sexual da década de 60. O romance é praticamente um monólogo do sessentão David Kepesh centrado na sua paixão doentia por Consuela Castillo, uma jovem de apenas 24 anos que havia sido sua aluna. A maneira como Roth constrói e descreve o impacto da presença de Consuela na vida de David é impressionante, abalando todos os aspectos de sua vida, desestabilizando-o por completo.

A comparação deste romance com Homem Comum (Everyman) é inevitável, não apenas pela proximidade dos temas (velhice e morte, principalmente) mas também por estarem cronologicamente muito próximos na obra de Roth (Homem Comum seria publicado tão somente quatro anos após O Animal Agonizante). Nos seus últimos romances a velhice e a morte são temas recorrentes em sua obra, afinal Roth já passou dos setenta anos e nesse estágio da vida humana pensa-se constantemente nestes temas. Como diria o próprio Roth em uma passagem brilhante de Homem Comum, “a velhice não é uma batalha, é um massacre”.
Não tenho muito mais o que escrever sobre O Animal Agonizante. Recomendo a leitura a todas e para finalizar eis um de meus trechos favoritos do romance:

“É importante traçar uma distinção entre o morrer e a morte. O morrer não é um processo ininterrupto. Se a gente tem saúde e se sente bem, é um processo invisível. O final que é uma certeza nem sempre se anuncia de maneira espalhafatosa. Não, você não consegue entender. A única coisa que você entende a respeito dos velhos quando você não é velho é que eles foram marcados pelo tempo. Mas compreender isso só tem efeito de fixá-los no tempo deles, e assim você não não compreende nada. Para aqueles que ainda não foram velhos, ser velho significa ter sido. Porém ser velho significa também que, apesar e além de ter sido, você continua sendo. Esse ter sido ainda está cheio de vida. Você continua sendo, e a consciência de continuar sendo é tão avassaladora quanto a consciência de ter sido. Eis uma maneira de encarar a velhice: é a época da vida em que a consciência de que a sua vida esté em jogo é apenas um fato cotidiano. É impossível não saber o fim que o aguarda em breve. O silêncio em que você vai mergulhar para sempre. Fora isso, tudo é tal como antes. Fora isso, você continua sendo imortal enquanto vive.”

Tradução de Paulo Henriques Britto.

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